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CONTADOR

terça-feira, 26 de maio de 2009

Errante

Desaprendo meus passos
a vida passa
com acertos escorregadios
e meus olhos fechados.
E esse tempo que não volta?
E essa música que esqueço?
Meu corpo de gelo se derrete
em águas de vagas lembranças
que evaporam pelo ar
no calor dos dias
das coisas
das gentes...
Estas são as pegadas
do meu rastro volátil
o fantasma das escolhas
apontando para a alma
minha calma asfixiada
espremida entre os dedos
os medos que me ponho
meus sonhos enferrujados
nas projeções atrevidas.
Vida sem fim
vida que passa
abraça-me ao menos
para me ver partir
e dá-me o beijo do sim
pois vim a mim
num desatino do tempo
que me expulsa
constantemente
dos passados
e os apaga...

7 comentários:

  1. "Desaprendo meus passos a vida passa
    com acertos escorregadios e meus olhos fechados.
    E esse tempo que não volta? E essa música que esqueço?
    Meu corpo de gelo se derrete em águas de vagas lembranças que evaporam pelo ar no calor dos dias das coisas das gentes..."

    Tenho sentido nas entranhas, oh lindo e sensível poeta!

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  2. tempo-destino-poesia-muito bom tempo o teu poema

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  3. É, psicóloga...
    São agonias intermináveis! Beijos!

    Obrigado pelo comentário, Ediney! Abraço!

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  4. A Minha existência...

    A minha existência me limita
    A um progredir predestinado
    É a fantasia o que excita
    O meu porvir encarcerado

    O chão que piso não sustenta
    A mão que escreve não traduz
    A dor que punge só lamenta
    E um novo dia não conduz

    Meu despertar é o meu medo
    Agonizando em sonhos vãos
    Em mim o claustro do segredo
    Lá fora o riso sem razão

    Blasfêmia é viver sem verso
    Sem cor,sem chuva,sem contato
    É no meu sangue que disperso
    O que em mim só é inato

    A liberdade é uma ascendência
    Tão relativa quanto a morte
    Pro alto clamo a providência
    No mundo traço a minha sorte.

    Gustavo Costa Pinto.

    Gostei muitíssimo desse poema.Achei leve e preciso,sôfrego e altaneiro,lúgubre e refulgente.Parabéns!Ele me estimulou a te escrever este.

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  5. Muito obrigado pela visita e pelo comentário-poema!
    Fico muito feliz por você ter gostado e, mais ainda, por tê-lo inspirado. Vejo em seu poema as mesmas aflições que sinto.

    Parabéns, primo!
    Abraço!

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  6. Quando o vazio me ocupa e no vácuo me preencho,lanço a flecha pontiaguda da razão nas quimeras indolentes do meu coração.É nessa teia intrincada,que teço a minha história em sonhos indizíveis e desarmados.Meu desabafo é apenas uma forma de me sentir vivo no sumidouro da existência.
    Fui constituido em carne,e é nessa conexão putrefante e perecível que luto para camuflar a trama desvalida e absconsa da minha vida em caleidoscópio.
    Sem impressões,sem abstrações e sem certezas,apenas escrevo, na tentativa pueril e infeliz,de tentar definir o que não sei,e nunca senti de um modo depurado.O mistério dói!

    Gustavo Costa Pinto

    é só o que posso concluir...

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  7. Você precisa de um blog!

    Um texto como esse precisa ser lido, comentado, ter um canto só pra ele, que não apenas um comentário como aqui.

    Belo texto!

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