Mexeu na seta do dizer
por cima das conversas
Feriu-se desmerecido
num espinho de gente
porque ondulava
E deu de amar as coisas
somente as coisas
Guardado com inocências
abriu-se
para a tarde inteira:
uma pipa pelo ar
ventando grande
assovio sem dono
ponta de vento floreado
cigarra no cajueiro
estridulando
passarinho na terra
graveto no bico
cisca, cisca, voou
(dentro da própria música)
e pousou alto
perto do amor amarelo
que pendia plácido
oferecido
doce
sem espinhos...
e tudo era quintal.
"Seria esse um amor de outras vidas?"
Há 10 anos

