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CONTADOR

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Lamentos

Outona-se a paixão... Que desatino!
Pensar em tanto amor morrendo à espera
da mútua entrega ardente, da quimera
que fora congelada em vão destino...

Não fomos senão flores de ouro fino,
brilhantes porém gélidas. Quisera
eu ter um coração de primavera
e amar-te, na inocência de menino.

Contendo as estações meu peito chora
à noite, quando o céu é mais bonito.
Ao tempo em que do orvalho se enamora,

a vida poderia ter-nos dito
que nosso amor, crisálida de aurora,
se borboleteou pelo infinito.

sábado, 1 de agosto de 2009

Minha paz

Soube, um dia, em meio à multidão, que eu estava só e que minha solidão era uma amiga sincera, compreensiva. Vi-me fraco quando tive as maiores certezas e dissimulado quando verdadeiramente chorei. Foram rodopios, azáfama, pontapés desconcertantes. Com efeito, estive imerso em divergências todo o tempo. E não reclamo disso, embora me doa. Hoje sei. Viver é ter furacões dentro de si, é ter as tempestades da dialética percorrendo-nos a alma. Porque somos as controvérsias ensanguentadas, cavalos em disparada, mais selvagens do que nunca. Porém, faço aqui menção à vontade de abraçar-me com a brandura. Meu coração é praia em fim de tarde. Sim, decido pela calma. Decido, pois, pelo pôr-do-sol, porque esse, creio, já sou eu. Esse é o meu dia querendo apagar-se e minha noite ainda lhe negando a sombra. Nem claridade, nem escuridão. Quero adormecer, alaranjado, perto das coisas que amo.