Segue o vento a ninar mais uma pluma
numa casa, onde o tempo foi saudade.
Há tristeza a brilhar, pois que me invade
tanta luz quando penso. E vai-se a bruma...
Ao regresso, meu peito se perfuma,
enfeitado co’as graxas! Mas tem ânsias;
nada resta da aurora das infâncias;
nem quintal, nem mangueira ou coisa alguma.
Ah! morri quando vi tanta mudança,
no jardim já não há o mandacaru,
que floriu lá na seca da lembrança...
Esse espaço se entrega ao tempo: nu,
como o ar. Pois a próxima criança
não verá da varanda o céu azul!
“Construíram uma casa fria onde havia calor, sonhos e lembranças; jardim e quintal se abraçavam ali, e hoje não existem mais...”
"Seria esse um amor de outras vidas?"
Há 10 anos

