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CONTADOR

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Espasmo


aquela noite em nós, a demorar-se... 
na desmedida ternura do afago
o inteiro dos teus gestos, sobre mim
e tua voz ressonando em meu peito
sob a aura serena de um sorriso

antes não houvesse o dia
o mundo, os outros...
e fosse só a essência do teu olhar
a sede, o corpo
somente a pausa do arrebatamento
na alegria ingênua do encontro
e nada mais acontecesse
senão o beijo insuspeitado

ou fossem ainda as horas 
incessantes
sorvidas no indelével
no mais duradouro azul
enquanto éramos silentes
precisos
carnais

agora
nada extingue o teu encanto
nem o óbvio mistério do porvir
pois tua presença calma 
é o tempo que inventei
dentro do amor