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CONTADOR

terça-feira, 29 de julho de 2014

Minto

Tudo em mim já não existe,
no momento em que lhe conto.
Nem mesmo ponto, tempo, tipo,
pois palavra engole sentimento.
Furacão venta brisa.
Gritaria, um sussurro.
Falta-lhe detalhe, substância, conteúdo,
Essência de todo jeito.

Porém retorna se me deito,
calado de palavra,
espaçoso em solidão.
Vem por me tomar o chão,
a carne, o instinto.
Mas não minto quando o conto,
talvez minta quando o sinto.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Memórias

pertencemos às nossas memórias
porque tudo já houve
e nada ainda é
e nelas nos encontraremos
e nos perderemos

como não se confundir?
a fala doce das imagens baila
o vento é ingênuo quando as traz
fosse o decurso conhecido
sujaria-me de vida
sorveria o mundo todo.