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CONTADOR

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Tempo de Sobrado


Por dentro dessa chuva, o meu passado,
um ontem que não cessa nesse quando,
que encharca meu olhar, mas vai regando
a flor do tempo em mim. E sou levado

a crer que sempre estive do outro lado
do quadro que me vai emoldurando.
A porta que se abriu ao vento brando
sou eu, que não saí nem tenho entrado.

E aqui deste sobrado vejo tantos
caindo sob a chuva, sem encantos...
São todos como eu, incerto e lasso!

O tempo em que ficaram esquecidos
comunga com o silêncio em meus ouvidos
e vão passando os dias, porque passo.

3 comentários:

  1. É, meu Velho...

    "O tempo não pára! Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo" (Mário Quintana)

    O seu soneto me faz perceber que a vida está escapando... O passado, de quem não queremos nos apartar, parece já não estar tão próximo de nós quanto antes. Somos passadiços como a flor que se abre ao amanhecer e cai ao fim do dia. Há incertezas no dia de amanhã que não nos pertence.

    Esse silêncio, que não desgruda do poema e nem de meus ouvidos, me diz que é hora de começar a aprender a morrer...

    Muito bom este soneto. Abração, Roque!

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  2. Sua presença é música aos ouvidos! E olha que não estou falando em presença física, vc sabe!
    Olha, querido-poeta-amigo, estou passando também pra avisar que estou reativando meu blog (dentre tantas outras coisas resgatadas!). Quando puder, dá uma passada por lá!

    Beijão, Roquinho!

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  3. Oi Roque, gostei muito de seu blog e poessia. Estou estudando português, e agora lendo algumas coisas de literatura e blogs.

    abraçoes

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