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quarta-feira, 24 de março de 2010

Íntimo


moça de beijo morno. suponho. porque tenho calor no olhar. não se sabe tão bela, e passa. coração e corpo herméticos. enfeito o seu rastro com caprichos meus. mas guardo um silêncio azul. sua ausência me veio quando as horas se esticavam. a noite me abraçava de véus. eu que era vontade, ela que era distância. eu de velas alçadas, ela soprando longe. nada senão um eco do desencontro, ou mesmo a sombra do inesperado. agora, falo-te em sussurro. a voz cortante. penso que não havíamos de ter sido. mais uma estrela se apaga em mim, mais uma pétala que cai. tudo em nós é passadiço, porque somos o mundo inteiro. um grão de amenidades, vago e desmedido mar de anseios. vivo desse amor que me desbota. o amor enfeitado e puro, que nunca chegaste a conhecer.

6 comentários:

  1. Gesta colorida e silente sob a superfície pálida de um peito só. Mais vale um rastro que um vazio, suponho! rs
    Lindo texto!
    Um beijo

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  2. Quando a noite alonga o tempo que dura a ausência encontra-se, no intervalo entre dois pontos, qualquer coisa que chama outra à memória.
    Divagações sobre possibilidades, dores de silêncios... o que há de belo no não ter é somente o nascer da poesia.

    Quanta beleza nessa dor.

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  3. Esse poeta pode até demorar; mas quando escreve, vem sempre um bom texto.

    Interconexões, por parte.

    1) Quanto à beleza da moça (Jobim e Vinicius)

    "Olha que coisa mais linda
    Mais cheia de graça
    É ela menina
    Que vem e que passa
    Num doce balanço, a caminho do mar.

    Moça do corpo dourado...
    É a coisa mais linda que eu já vi passar."

    2)Quanto à ausência da moça (Vinicius):

    "Vai, minha tristeza, e diz a ela
    Que sem ela não pode ser
    Diz-lhe, numa prece, que ela regresse
    Porque eu não posso mais sofrer."

    Abraçoo!

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  4. Que texto lindo, Roque. Não posso nem comentar. Coisa boa.
    bjão

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  5. ..."Um amor puro
    Não sabe a força que tem"...


    Lindo!!bjs

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  6. Salve!

    Hoje, na minha passada diária por este sítio, lembrei do grande poeta Álvares de Azevedo. Assim ele dizia:

    "Se uma lágrima as pálpebras me inunda,
    Se um suspiro nos seios treme ainda,
    É pela virgem que sonhei... que nunca
    Aos lábios me encostou a face linda!"

    Abraço.

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