moça de beijo morno. suponho. porque tenho calor no olhar. não se sabe tão bela, e passa. coração e corpo herméticos. enfeito o seu rastro com caprichos meus. mas guardo um silêncio azul. sua ausência me veio quando as horas se esticavam. a noite me abraçava de véus. eu que era vontade, ela que era distância. eu de velas alçadas, ela soprando longe. nada senão um eco do desencontro, ou mesmo a sombra do inesperado. agora, falo-te em sussurro. a voz cortante. penso que não havíamos de ter sido. mais uma estrela se apaga em mim, mais uma pétala que cai. tudo em nós é passadiço, porque somos o mundo inteiro. um grão de amenidades, vago e desmedido mar de anseios. vivo desse amor que me desbota. o amor enfeitado e puro, que nunca chegaste a conhecer.
"Seria esse um amor de outras vidas?"
Há 10 anos

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Gesta colorida e silente sob a superfície pálida de um peito só. Mais vale um rastro que um vazio, suponho! rs
ResponderExcluirLindo texto!
Um beijo
Quando a noite alonga o tempo que dura a ausência encontra-se, no intervalo entre dois pontos, qualquer coisa que chama outra à memória.
ResponderExcluirDivagações sobre possibilidades, dores de silêncios... o que há de belo no não ter é somente o nascer da poesia.
Quanta beleza nessa dor.
Esse poeta pode até demorar; mas quando escreve, vem sempre um bom texto.
ResponderExcluirInterconexões, por parte.
1) Quanto à beleza da moça (Jobim e Vinicius)
"Olha que coisa mais linda
Mais cheia de graça
É ela menina
Que vem e que passa
Num doce balanço, a caminho do mar.
Moça do corpo dourado...
É a coisa mais linda que eu já vi passar."
2)Quanto à ausência da moça (Vinicius):
"Vai, minha tristeza, e diz a ela
Que sem ela não pode ser
Diz-lhe, numa prece, que ela regresse
Porque eu não posso mais sofrer."
Abraçoo!
Que texto lindo, Roque. Não posso nem comentar. Coisa boa.
ResponderExcluirbjão
..."Um amor puro
ResponderExcluirNão sabe a força que tem"...
Lindo!!bjs
Salve!
ResponderExcluirHoje, na minha passada diária por este sítio, lembrei do grande poeta Álvares de Azevedo. Assim ele dizia:
"Se uma lágrima as pálpebras me inunda,
Se um suspiro nos seios treme ainda,
É pela virgem que sonhei... que nunca
Aos lábios me encostou a face linda!"
Abraço.